Terça-feira, 7 de Setembro de 2004

Marta, estamos juntos!

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não arrisca vestir uma cor nova e não fala com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro ao invés do branco e os pingos nos iis a um redemoinho de emoções, exactamente o que resgata o brilho nos olhos, o sorriso nos lábios e coração aos tropeços.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho.
Morre lentamente quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, ouvir conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte, ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem destrói seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, nunca pergunta sobre um assunto que desconhece e nem responde quando lhe perguntam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em suaves porções, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples ar que respiramos.
Somente com infinita paciência conseguiremos a verdadeira felicidade.
                         
Gabriel Garcia Marquez


Já li, e todos nós já devemos ter lido, inúmeras vezes este mesmo texto. Mas, hoje, li-o de outra forma. Hoje percebi que há muita gente à minha volta a morrer lentamente. Gente que vive a vida da formiguinha, que segue sempre pelo carreirinho, na sua labuta para armazenar comida e que nem se apercebe que, existiriam "n" carrerinhos possíveis e que, nem sempre, um carreiro diferente significa uma  vida menos abundante. Lá está: a formiguinha não arrisca o certo pelo incerto...


Este "estar vivo exige um esforço muito maior que o simples ar que respiramos" faz-me lembrar uma amiga - a Marta - que hoje parte para Moçambique, onde vai trabalhar durante 6 meses num projecto de desenvolvimento. Sei que a Marta vai descobrir rapidamente o sentido desta frase. Não basta estarmos vivos para vivermos de facto. Não basta ter carro, comida, dinheiro no banco... Não basta o que podemos ter...


É preciso Arriscar... Procurar... Encontrar... E deixarmos um bocadinho de nós, em todos os carreirinhos que os nossos pés pisarem.


Marta, tuala kumoxi!

publicado por hhuuggoo às 12:44
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1 comentário:
De Benedictus a 11 de Setembro de 2004 às 18:37
Olá Hugo! belos textos tens aqui. Continua com essa mesma coragem de coração missionário. Estar vivo não consite somente em respirar e ter o coração a bater, mas essencialmente em amar e ter o coração ardente, disponivel para que todos possam encontrar aquele que nós anunciamos e que se manifesta através de nós. Caminhemos pois nesta estrada. Estamos juntos.


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