Sexta-feira, 5 de Agosto de 2005

...chegar ao mar!

200152982-001.jpg


in “O Primeiro Dia”, de João César das Neves, Lucerna


«Numa tarde, quando já era muito idosa, a um genro, que protestava contra a política de Pequim, a corrupção dos funcionários e a miséria dos camponeses, Wai disse:


- A nossa aldeia é pobre e triste. A sua maior riqueza é o rio. Mas a única razão porque o rio passa por esta aldeia é porque quer chegar ao mar. A única razão porque o rio passa por todas as terras é porque quer chegar ao mar. É só isso que o rio quer. Só porque quer chegar ao mar é que passa por todas as terras e a todas dá vida. Na sua ânsia de chegar ao mar, faz crescer as plantas, alaga os arrozais, transporta troncos, arrasta a terra fértil, empurra os barcos e as pessoas, refresca os trabalhadores.


Mas o rio nem nota que faz isso, porque está demasiado ocupado noutra coisa. O rio não protesta com as terras por onde passa, não se importa de ser usado, nem liga quando o desviamos, porque o seu único objectivo é atingir o mar.


Sacrifica tudo ao seu propósito único e supremo de lá chegar. Tanto lhe faz passar por verdes prados ou por vales tenebrosos. Ruge nos rochedos escarpados e dorme nas planícies lamacentas, mas a única coisa que lhe interessa é seguir sempre, da melhor maneira possível, para o mar. É só isso que o rio quer.


A única razão por que o rio passa por todas as terras, sem se negar a nenhuma, é querer chegar ao mar.


Por isso, só por isso, é que dá vida a todos.»


 


 


Talvez o mais importante desta história não seja o rio...
Talvez este rio seja uma pessoa, talvez seja qualquer pessoa... Talvez uma pessoa que ainda não saiba para onde e por que corre... Talvez uma pessoa que não tenha, ainda, ânsia de chegar a lado nenhum...
</font></font></font>


Ser como o rio é sabermos onde está o nosso tesouro. Ser como o rio, é viver de olhos postos nesse tesouro, orientarmo-nos para ele, sem nos preocuparmos com o tempo, a vida, o esforço, o sofrimento, o bem, as lágrimas e os sorrisos que gastamos até o encontrarmos.</font></font></font>


Ser como o rio é dar a vida a tudo por que passamos no caminho.</font></font></font>


 

publicado por hhuuggoo às 11:04
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2 comentários:
De hugo.goncalves a 29 de Setembro de 2005 às 21:35
Meu caro Pinho,
é isso mesmo! É importante sabermos onde ou a quem queremos chegar. Talvez nunca lá cheguemos, mas o mais importante é o pôrmo-nos a caminho. E o caminho, bem feito, é já antecipação do que encontraremos à chegada. A caminhada gera, transporta, antecipa vida. É a vida que conta.



De Joo Pinho a 5 de Agosto de 2005 às 11:33
Esta estória do rio faz-me pensar: realmente, a única coisa que conta, sempre, é o que nos move. Querer chegar ao mar é um propósito legítimo, bonito... romântico até. Se assim não fosse, podíamos dizer que o rio não olha a meios para atingir os seus fins. E aí a estória perdia a piada:-)Por isso é tão importante escolher onde queremos chegar.


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